
(*) José Pegado
Escrever sobre Espanha e os Espanhóis ou sobre qualquer outro país ou povo torna-se impossível sem o recurso a comparativos. Falar de Espanha e das impressões que dela colhemos obriga-nos a um constante cuidado para não cairmos na fácil tentação de assumirmos como verdades nossas as ideias históricas e outras que nos foram insufladas já nos primeiros bancos de escola.
A vizinhança geográfica, mesmo quando o universo é apenas o de um ninho apoderado por cucos ou o de dois pisos contíguos, é uma fonte geradora de conflitos que, segundo os temperamentos, ou a relação de forças das partes envolvidas, podem dar lugar a agressões físicas, a calúnias e na melhor das hipóteses a um mortífero virar de costas quando tanto teríamos a ganhar e a alegrar-nos pelo simples e saudável exercício da boa vizinhança.
O que nos aproxima é o facto de sermos povos de uma mesma região ibérica que em tempos pré-históricos foi povoada por espécies humanas das idades paleolíticas, uma região que mais tarde e em diferentes medidas veio a conhecer fenícios, gregos, romanos, suevos, visigodos e árabes até que um dia estes últimos foram dela expulsos por forças da cristandade.
O que nos separou foram lutas pelo poder e alianças de conveniência e o que nos aproxima são as origens e evidentemente a vizinhança.
Cultivar a boa vizinhança é demonstrativo de sólida cultura social e torna-se hoje condição necessária para construir e sobreviver em oposição a desmembrar e destruir.
Boa vizinhança pressupõe vias de comunicação abertas e elas existem e está demonstrado que com boa vontade nos entendemos muito bem ouvindo e falando simples e calmamente.
Quem durante uma centena de anos foi capaz de mostrar novos mundos ao mundo poderia, na época conturbada em que vivemos, talvez dar um exemplo sólido de amizade e de boa vizinhança que acaba por ser tolerada e mais tarde até aplaudida pelas nossas não muito diferentes vivências:
– De um modo geral a cozinha turística espanhola não nos agrada mas a culpa é evidentemente nossa, do nosso desconhecimento, da nossa bolsa, da nossa pressa;
– O horário de trabalho, as horas e a duração das refeições;
– A notável prática da siesta que mantém as gentes de Espanha numa imperturbável posição de unicidade, em relação aos demais povos europeus, é uma constante irritação dos homens de negócios do Norte da Europa que nunca se apercebem das diferenças de clima e de fusos horários;
– Falta ainda dizer qualquer coisa sobre as gentes de Espanha que variam tanto como em qualquer país. De um modo geral o aspecto físico é desenvolto e saudável e as mulheres são elegantes e não baixam os olhos como é costume em Portugal.
A comunicação falada é muito importante para o bom entendimento entre humanos.
O ano de 2008 terminou com o descalabro global das instituições financeiras o que a curto prazo vai provocar mais desemprego, mais desespero, mais egoísmo e paralelamente o favorecimento de climas propícios a aproveitamentos políticos.
O ano de 2009 iniciou-se com o despertar de fortes agressões entre povos vizinhos, onde a boa vizinhança não impera, entre Israel e a população palestiniana de Gaza num enorme grupo de refugiados famintos, e doentes.
A comunidade internacional não aprende que não basta dar peixe a quem tem fome, é preciso que o faminto aprenda a pescar.
(*) Engenheiro Electromecânico formado no IST, em Lisboa, e na Universidade de KYH em Estocolmo.
EDITORIAL
Temas e Debates
– Liga da Amizade Luso Espanhola-LALE, site: http://ligaamizadelusoespanhola.blogspot.com/ e-mail: lale.amizade@gmail.com
Escrever sobre Espanha e os Espanhóis ou sobre qualquer outro país ou povo torna-se impossível sem o recurso a comparativos. Falar de Espanha e das impressões que dela colhemos obriga-nos a um constante cuidado para não cairmos na fácil tentação de assumirmos como verdades nossas as ideias históricas e outras que nos foram insufladas já nos primeiros bancos de escola.
A vizinhança geográfica, mesmo quando o universo é apenas o de um ninho apoderado por cucos ou o de dois pisos contíguos, é uma fonte geradora de conflitos que, segundo os temperamentos, ou a relação de forças das partes envolvidas, podem dar lugar a agressões físicas, a calúnias e na melhor das hipóteses a um mortífero virar de costas quando tanto teríamos a ganhar e a alegrar-nos pelo simples e saudável exercício da boa vizinhança.
O que nos aproxima é o facto de sermos povos de uma mesma região ibérica que em tempos pré-históricos foi povoada por espécies humanas das idades paleolíticas, uma região que mais tarde e em diferentes medidas veio a conhecer fenícios, gregos, romanos, suevos, visigodos e árabes até que um dia estes últimos foram dela expulsos por forças da cristandade.
O que nos separou foram lutas pelo poder e alianças de conveniência e o que nos aproxima são as origens e evidentemente a vizinhança.
Cultivar a boa vizinhança é demonstrativo de sólida cultura social e torna-se hoje condição necessária para construir e sobreviver em oposição a desmembrar e destruir.
Boa vizinhança pressupõe vias de comunicação abertas e elas existem e está demonstrado que com boa vontade nos entendemos muito bem ouvindo e falando simples e calmamente.
Quem durante uma centena de anos foi capaz de mostrar novos mundos ao mundo poderia, na época conturbada em que vivemos, talvez dar um exemplo sólido de amizade e de boa vizinhança que acaba por ser tolerada e mais tarde até aplaudida pelas nossas não muito diferentes vivências:
– De um modo geral a cozinha turística espanhola não nos agrada mas a culpa é evidentemente nossa, do nosso desconhecimento, da nossa bolsa, da nossa pressa;
– O horário de trabalho, as horas e a duração das refeições;
– A notável prática da siesta que mantém as gentes de Espanha numa imperturbável posição de unicidade, em relação aos demais povos europeus, é uma constante irritação dos homens de negócios do Norte da Europa que nunca se apercebem das diferenças de clima e de fusos horários;
– Falta ainda dizer qualquer coisa sobre as gentes de Espanha que variam tanto como em qualquer país. De um modo geral o aspecto físico é desenvolto e saudável e as mulheres são elegantes e não baixam os olhos como é costume em Portugal.
A comunicação falada é muito importante para o bom entendimento entre humanos.
O ano de 2008 terminou com o descalabro global das instituições financeiras o que a curto prazo vai provocar mais desemprego, mais desespero, mais egoísmo e paralelamente o favorecimento de climas propícios a aproveitamentos políticos.
O ano de 2009 iniciou-se com o despertar de fortes agressões entre povos vizinhos, onde a boa vizinhança não impera, entre Israel e a população palestiniana de Gaza num enorme grupo de refugiados famintos, e doentes.
A comunidade internacional não aprende que não basta dar peixe a quem tem fome, é preciso que o faminto aprenda a pescar.
(*) Engenheiro Electromecânico formado no IST, em Lisboa, e na Universidade de KYH em Estocolmo.
EDITORIAL
Temas e Debates
– Liga da Amizade Luso Espanhola-LALE, site: http://ligaamizadelusoespanhola.blogspot.com/ e-mail: lale.amizade@gmail.com